Quando em
nosso Face Lilithiano surgiu a idéia de contribuir com algo de nosso trabalho
para alimentar o vício ao qual todas partilhamos, aconteceu ali mesmo, um parto
natural que, se fosse planejado talvez não acontecesse tão rápido. Ainda hoje
estou boquiaberta como, de uma simples idéia cresceu um Movimento.
Talvez, a Martinha possa divagar sobre a rapidez com
que abraçam-se idéias desde que envolvam livros e leitura. Questiono-me sobre
isso, será porque gostamos de ver ali os mocinhos descascados como bananas,
porque gostamos de nos divertir, e nos divertimos muito com as intervenções de
todas. O humor de uma faz disparar a brincadeira de outra. Ou então é só porque
nos nossos horizontes mais imediatos estão histórias mais ou menos hot? Deixo
espaço para as considerações...
Para mim é
um pouco de tudo: autoras de que gostamos, histórias que nos fazem voar,
“abanar”, heróis de sonho onde sapo não tem permissão de entrar, e algumas
imagens para encher os olhinhos que a Mari às vezes nos traz e que nos enchem
os olhos…de desgosto! A malvada deixa os modelos lindíssimos lá com as florzinhas…
Não vou postar
nada de especial, até porque eu, tal como todas as leitoras, cresço com a interação
com todas, ou seja, ninguém se diverte sozinho. Então, já há algum tempo
interrogo-me sobre o porquê de alucinarmos com algumas séries que quase viram
obsessão. Será que somos todas umas viciadas compulsivas que devoramos tudo o
que tenha letras e palavras com um cunho fantástico ou ficcional (os decretos
–leis não me parece que tenham tantos seguidores voluntários), ou é a escrita
das próprias autoras e a construção dos seus personagens que nos faz mergulhar
numa história de cabeça e esquecermo-nos de que “é preciso dormir”?
Sou
louquinha assumida pela série A Irmandade da Adaga Negra da J.R.Ward! Quando
comecei a ler a série, acreditem nem sei o nome dos volumes, mas visito-os muitas vezes ali na estante, eu
pensei que o nome da autora era masculino. Uma narrativa tão áspera em termos
de vocabulário, a rudez do mundo dos vampiros e aqueles personagens tão
másculos, tão vividos e sofridos só
podiam sair da imaginação de um homem que se descentrasse de si e fosse capaz
de escrever sobre os seus congêneres e o sentir do mundo masculino. Olha a
minha surpresa, quando descobri que aquele universo “Y”, aquelas cenas que
pediam um leque, aquela sensualidade que saía dos poros masculinos, a dureza do
mundo de ficção, saía todo da cabeça de uma mulher. Às vezes eu penso que ela
tem um parafuso solto na cabeça, mas é um parafuso maravilhoso que me traz amarrada
às personagens que ela criou e que saltaram para a vida. Não será por acaso que
é considerada uma das séries escritas para adultos com mais traduções feitas
pelo mundo inteiro. Não deve ser só pelo universo vampírico que ela inventou,
mas também por aquele humor desenfreado, aquela forma de escrever
descomprometida, em que a personalidade de cada um está tão bem definida pelas
vivências, dramas e reações que cada um tem, tão adequadas à personalidade que
lhe foi caracterizada. Eles crescem, sofrem, amam (como se amam…) enfurecem-se,
evoluem como pessoas reais.
A Martinha
diz que ela explora a nossa vertente protetora pelos que sofrem, para mim a
J.R.Ward tem mais cromossomas masculinos e uma
escrita fascinante que nos faz acreditar que sim … eles estão ali e, um destes
dias, encontraremos um ao virar a esquina.
Partilhe com
todas, o porquê gosta desta série, o que
a cativou enquanto leitora: as personagens, o universo onde estes se
desenvolvem, o enredo que é criado, a forma de escrever que é tão clara que
parece que estamos lá …o que seja que goste… e porque sim!
Maria
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