Li e reli… amei!
Num dos posts anteriores da Karlinha li que anunciava o lançamento do filme
O Hobbit adaptado ao cinema pelo criativo Peter Jackson, ainda este ano. Não vou falar sobre O Hobbit
em particular, mas, como já é hábito, partilhar os motivos que me levaram a ler
toda a obra deste genial autor chamado J.R.R.Tolkien. É certo que foge às nossa leituras com leque e abanos,
janelas escancaradas e cubinhos de gelo
ao lado, mas é a sua genialidade como autor que eu celebro. A maioria das
pessoas conhece a sua obra pelos filmes “O senhor dos anéis”, mas ele escreveu
outros livros, além dessa trilogia: O Hobbit, O Silmarillion, Contos Inacabados
da Terra Média, as Aventuras de Tom Bombail, são os mais conhecidos. A genialidade deste autor, há quem o
considere o grande introdutor da literatura fantástica, reside em todo um
universo, um mundo alternativo, a Terra Média, que idealizou com uma cosmografia, geografia, genealogias, língua dos elfos,
lugares, muito bem descritos, com personagens fantásticos (elfos, magos, hobbits,
cavaleiros, trolls, ents, dragões, espectros, orcs, anões…) imersos numa guerra em que o mal e o bem se
confrontam e tudo se une numa força que
vai culminar na guerra do anel. Além do enredo, as descrições dos espaços, dos
sentimentos levam o leitor a partilhar as cenas, os momentos divertidos (alguns
com os hobbits são ilários), os cheiros (o do Shire e Lórien encantam, o dos pântanos tresanda e nos faz cair de lado), os gritos
dos Nazgul quase nos eriçam os pelos, a
amizade (entre hobbits da Irmandade é um sonho) os fracassos (nas guerras com
Mordor, a traição de Saruman e Boromir), as dores. Ai, a amizade de Sam e a luta
do Frodo, vergado, até chegar ao Monte
da Condenação nos faz sentir medo e uma pena tremenda pela tarefa que lhe
coube.
“-Lembra-se daqueles coelhinhos, Sr. Frodo? E do nosso lugar sob o aterro
quente, no país do capitão Faramir, no dia em que vi o olifante?
- Não, Sam, lamento. Ou melhor, sei que essas coisas aconteceram, mas não
consigo vê-las. Não me resta a recordação de nenhum sabor de comida, nenhum
contato de água, nenhum som de vento, nenhuma recordação de árvore, erva ou
flor, nenhuma imagem de estrela ou lua…Estou nu no meio das trevas, Sam, e não
existe nenhum véu entre mim e a roda de fogo. Começo a vê-la mesmo acordado e
tudo o mais se esvai.”
E se havia trevas e escuridão, nos
caminhos e nos corações! Quase chorei, porque é um sofrimento que se verte das páginas e se agarra à alma!
Os livros obedecem a uma ordem em que o primeiro seria o Silmarillion
seguido pelo Hobbit e O Senhor dos
Anéis. Nos serões de Rivendell são contadas as histórias que se passam nos tempos antigos narrados no Silmarillion,,
os nomes de lugares na Terra Média e as
personagens aí referenciadas, como hoje
nós lemos nas séries que tanto nos prendem. Apesar do personagem mais apreciado pelo
género feminino ser o belo Legolas Greenleaf, elegante e atrativo príncipe do
povo belo, o meu foi Aragorn, o misterioso Elessar, resistente, talhado na rocha tal o seu ânimo, líder de
homens, fiel aos seus princípios e objetivos: derrotar Sauron e casar com a
bela Arwen, o seu amor de sempre. Ela é o seu prêmio sonhado e para consegui-lo não se dobra, não se deixa
corromper, não desiste do duro caminho que lhe foi confiado, arrasta-se pelos
sítios mais inóspitos, viaja e vigia até as botas acusarem o desgaste. É respeitado
por elfos, pelo rabugento Gandalf, temido como Caminhante pelos mortos, é o herói de Frodo …e o meu
também. Não há cenas de abraços ou beijos de amantes, mas há um sonho sempre
presente no coração dele, Arwen. Esse amor profundo e partilhado, ressalta aqui
e ali na trilogia. Não é visível, mas está
sempre subjacente. Olha só a forma como esta elfa foi vista por Frodo quando chegou a
Minas Tirith, na véspera da coroação: «Frodo ao vê-la aproximar-se, refulgente,
no anoitecer, com estrelas na fronte e uma doce fragrância a envolvê-la,
sentiu-se acometido de uma grande maravilhamento…».
A forma como J.R.R. Tolkien relata o final de Aragorn, quase me leva a pensar que ele também tinha os
seus heróis, «Então revelou-se nele uma grande beleza, tão grande que todos
quantos depois acorreram o olharam maravilhados, pois viam que a graça da sua
juventude, a coragem da sua idade adulta
e a majestade da sua velhice se tinham
amalgamado. E ali jazeu muito tempo, imagem do esplendor dos reis dos Homens,
numa glória que o abandono do mundo não ofuscava».
O Hobbit, é um livro mais leve, com um Bilbo mais novo, insatisfeito, divertido,
na companhia dos anões à procura do tesouro guardado pelo dragão Smaug e encontra
acidentalmente, ou não, o Anel do Poder e cujas peripécias são relatadas mais
tarde. Apesar do Peter Jackson ter feito um trabalho notável com a adaptação ao
cinema da trilogia, e o Viggo Mortensen
ter recriado um Aragorn convincente, como ator,
para mim Aragorn ainda não tem
rosto, porque há heróis tão grandes que não conseguimos dar-lhe um rosto concreto.
Mas em homenagem à Karlinha deixo-lhe o seu herói, nesta saga que tem muito
mais do que aquilo que vimos nos três filmes, apesar de muito bem feitos, por
um outro admirador do Tolkien. Para os amantes deste género literário são
livros que vale a pena ler, indo mais para lá do que a tela de um cinema
mostra.
Então cá estou à espera do Bilbo, do
Smeagol, do Gandalf, de Thranduil ( pai
do Legolas) e dos anões!
Um abraço!
Maria






Um comentário:
Ursula K. Le Guin é maravilhosa, George R. R. Martin é fantástico, mas somente J.R.R. Tolkien é magnífico!! Lindo post, Maria!! Parabéns!!
Postar um comentário