sexta-feira, 20 de julho de 2012

Cantinho da da Maria


Li e reli… amei!




Num dos posts anteriores da Karlinha li que anunciava o lançamento do filme O Hobbit adaptado ao cinema pelo criativo Peter Jackson,  ainda este ano. Não vou falar sobre O Hobbit em particular, mas, como já é hábito, partilhar os motivos que me levaram a ler toda a obra deste genial autor chamado  J.R.R.Tolkien. É certo que  foge às nossa leituras com leque e abanos, janelas escancaradas  e cubinhos de gelo ao lado, mas é a sua genialidade como autor que eu celebro. A maioria das pessoas conhece a sua obra pelos filmes “O senhor dos anéis”, mas ele escreveu outros livros, além dessa trilogia: O Hobbit, O Silmarillion, Contos Inacabados da Terra Média, as Aventuras de Tom Bombail, são os mais conhecidos.  A genialidade deste autor, há quem o considere o grande introdutor da literatura fantástica, reside em todo um universo, um mundo alternativo, a Terra Média, que  idealizou com uma cosmografia,  geografia, genealogias, língua dos elfos, lugares, muito bem descritos, com personagens  fantásticos (elfos, magos, hobbits, cavaleiros, trolls, ents, dragões, espectros, orcs, anões…)   imersos numa guerra em que o mal e o bem se confrontam e tudo se une numa  força que vai culminar na guerra do anel. Além do enredo, as descrições dos espaços, dos sentimentos levam o leitor a partilhar as cenas, os momentos divertidos (alguns com os hobbits são ilários), os cheiros (o do Shire e Lórien  encantam, o dos pântanos  tresanda e nos faz cair de lado), os gritos dos Nazgul quase nos eriçam os pelos,  a amizade (entre hobbits da Irmandade é um sonho) os fracassos (nas guerras com Mordor, a traição de Saruman e Boromir), as dores. Ai, a amizade de Sam e a luta do Frodo, vergado,  até chegar ao Monte da Condenação nos faz sentir medo e uma pena tremenda pela tarefa que lhe coube.
“-Lembra-se daqueles coelhinhos, Sr. Frodo? E do nosso lugar sob o aterro quente, no país do capitão Faramir, no dia em que vi o olifante?
- Não, Sam, lamento. Ou melhor, sei que essas coisas aconteceram, mas não consigo vê-las. Não me resta a recordação de nenhum sabor de comida, nenhum contato de água, nenhum som de vento, nenhuma recordação de árvore, erva ou flor, nenhuma imagem de estrela ou lua…Estou nu no meio das trevas, Sam, e não existe nenhum véu entre mim e a roda de fogo. Começo a vê-la mesmo acordado e tudo o mais se esvai.”
 E se havia trevas e escuridão, nos caminhos e nos corações! Quase chorei, porque é um sofrimento que se verte  das páginas e se agarra à alma!
Os livros obedecem a uma ordem em que o primeiro seria o Silmarillion seguido pelo Hobbit e  O Senhor dos Anéis. Nos serões de Rivendell são contadas as histórias que  se passam nos tempos antigos narrados no Silmarillion,, os  nomes de lugares na Terra Média e as personagens aí referenciadas,  como hoje nós lemos nas séries que tanto nos prendem.  Apesar do personagem mais apreciado pelo género feminino ser o belo Legolas Greenleaf, elegante e atrativo príncipe do povo belo, o meu foi Aragorn, o  misterioso Elessar, resistente,  talhado na rocha tal o seu ânimo, líder de homens, fiel aos seus princípios e objetivos: derrotar Sauron e casar com a bela Arwen, o seu amor de sempre. Ela é o seu prêmio sonhado e para  consegui-lo não se dobra, não se deixa corromper, não desiste do duro caminho que lhe foi confiado, arrasta-se pelos sítios mais inóspitos, viaja e vigia até as botas acusarem o desgaste. É respeitado por elfos, pelo rabugento Gandalf, temido como Caminhante  pelos mortos, é o herói de Frodo …e o meu também. Não há cenas de abraços ou beijos de amantes, mas há um sonho sempre presente no coração dele, Arwen. Esse amor profundo e partilhado, ressalta aqui e ali  na trilogia. Não é visível, mas está sempre subjacente. Olha só a forma como  esta elfa foi vista por Frodo quando chegou a Minas Tirith, na véspera da coroação: «Frodo ao vê-la aproximar-se, refulgente, no anoitecer, com estrelas na fronte e uma doce fragrância a envolvê-la, sentiu-se acometido de uma grande maravilhamento…».

A forma como J.R.R. Tolkien relata o final de Aragorn,  quase me leva a pensar que ele também tinha os seus heróis, «Então revelou-se nele uma grande beleza, tão grande que todos quantos depois acorreram o olharam maravilhados, pois viam que a graça da sua juventude, a coragem  da sua idade adulta e a majestade da sua velhice  se tinham amalgamado. E ali jazeu muito tempo, imagem do esplendor dos reis dos Homens, numa glória que o abandono do mundo não ofuscava».
O Hobbit, é um livro mais leve, com um Bilbo mais novo, insatisfeito, divertido, na companhia dos anões à procura do tesouro guardado pelo dragão Smaug e encontra acidentalmente, ou não, o Anel do Poder e cujas peripécias são relatadas mais tarde. Apesar do Peter Jackson ter feito um trabalho notável com a adaptação ao cinema da trilogia,  e o Viggo Mortensen ter recriado um Aragorn convincente, como ator,  para mim  Aragorn ainda não tem rosto, porque há heróis tão grandes que não conseguimos dar-lhe  um rosto concreto.
Mas em homenagem à Karlinha deixo-lhe o seu herói, nesta saga que tem muito mais do que aquilo que vimos nos três filmes, apesar de muito bem feitos, por um outro admirador do Tolkien. Para os amantes deste género literário são livros que vale a pena ler, indo mais para lá do que a tela de um cinema mostra.
Então cá estou à espera do Bilbo,  do Smeagol, do Gandalf,  de Thranduil ( pai do Legolas) e dos anões!



Um abraço!













      Maria

Um comentário:

Ja disse...

Ursula K. Le Guin é maravilhosa, George R. R. Martin é fantástico, mas somente J.R.R. Tolkien é magnífico!! Lindo post, Maria!! Parabéns!!

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