sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Cantinho da Maria


 A ressaca literária


Um destes dias, não sei qual,  um deles… vou iniciar um abaixo assinado contra as trilogias, tetralogias, sagas de famílias, séries de livros…e o que se segue dentro do mesmo âmbito! Assim, não dá!
Depois de ter desvendado todos os segredos dos 50 tons de “Cinzento”, o que cobre um vasto leque de tons, caí, como tantas leitoras, numa profunda ressaca literária.  
 -E agora?
Depois de tanto esforço para arrancar os segredos todos de Christian Grey, senti-me perdida e sem perspetivas de leitura, o que é quase escandaloso, dada  a pilha de livros que aguardam  sua vez de serem lidos. Bom, atendendo as minhas queixas e lamentos, uma alma caridosa deu-me um remédio: Judith McNaught! E logo ali, na hora, sugeriu e proveu as minhas necessidades de leitura. Apesar de ver tantas leitoras colocarem seus livros nos tops de leitura, a verdade é que ainda não tinha me dado aquela curiosidade que nos faz querer agarrar um livro e mergulhar no seu enredo. Fui simplesmente adiando. Depois do absorvente Grey, pensei que algo mais light seria o ideal para me recuperar das aventuras do Quarto Vermelho.
Comecei a tarefa de desvendar a Judith com “Em Busca do Paraíso” e encontrei uma protagonista de que particularmente não gostei. Filha de um homem extremamente dominador, deixa-se controlar por uma empresa e por um pai que, apesar de o conhecer, lhe permite dominar a sua vida. Philip Brancrof, para além de controlar a empresa controlou a vida de todos. É um personagem subterrâneo que interfere na vida de todos os que com ele convivem. Meredith, a quem no início dei o benefício da dúvida por parecer que se soltaria daquelas amarras, acaba por se deixar manietar numa vida em prol da posição social e empresarial.  Não procurou conhecer os pormenores que afetaram a sua vida, a fuga da mãe e o afastamento de Farrel, contentando-se com aquilo que lhe foi posto à frente do seu régio nariz, o que convenhamos, saíndo do seu pai deveria levar logo um selo de Altamente Duvidoso. O regresso de Mathew Farrell dá uma frescura à trama, dado o seu caráter tenaz, mas que me deixou um pouco decepcionada, talvez porque esperava mais luta da sua parte, mas gostei de ver como os seus antigos conhecidos e familiares são integrados sem preconceitos na sua vida de empresário de sucesso. Até a rebeldia de Lisa Pontini, de quem se espera algumas estripulias ao longo da trama, acaba por se deixar domesticar pelo mundo de Philip  Brancrof. Definitivamente, ainda não sei se gosto do mundo dos negócios!


A minha segunda incursão foi através da família Westmoreland, são três livros e um conto:  Um reino de Sonhos, Witney, meu Amor,  Até Você Chegar e Milagres. O primeiro situado numa época  recuada, medieval,  em que os escoceses lutavam em apoio ao rei Jacob e  as aspirações de Henrique ao trono inglês. Os  escoceses ainda se organizavam de uma forma bastante tribal em clãs,  mal suportando os ingleses que caíam de assalto nas suas terras. Assim se tomou, pela conquista e expulsão da familia que o habitava, o castelo de Claymore; a união entre Jennifer Merrick, escocesa, e Royce Westmoreland, inglês, vem dar origem à Dinastia Westmoreland. Este livro de Judith MacNaught insere-se bem numa época de muitas guerras, costumes duros em que as mulheres nobres se refugiavam e eram muitas vezes enviadas para os conventos e abadias. Muitas por lá ficavam, princesas ou filhas de famílias nobres européias, com dotes generosos que eram administrados pelas ordens religiosas. Jennifer Merrick foi enviada para uma abadia como castigo por ser voluntariosa e engenhosa. É raptada pelos ingleses que lutavam contra os escoceses e levada ao Lobo Negro, implacável guerreiro e terror dos escoceses, isto é, Royce Westmoreland, o primeiro duque de Claymore, e, mais tarde, para o castelo de Claymore.  Mocinha decidida, cheia de artimanhas, personalidade e teimosia, arrancou sorrisos e irritações do conde… e minhas. Depois de alguns tropeços orgulhosos, acaba por conquistar a todos no castelo, assim como ao seu cavaleiro. Está bem caraterizada a época das justas e dos torneios em que os galantes nobres levavam a fita da sua dama. 


O segundo livro leva-nos à epoca da Regência, século XIX, pela mão de  Whit­ney Allison Stone, de língua afiada e tenaz na obtenção daquilo que pretende,  e de Clayton Westmoreland, duque de Claymore,  um belo e libertino manipulador que tem de suar a camisa para conseguir seduzir Whitney  através de métodos algo tortuosos.  É um clássico romântico de que gostei muito. No terceiro, Até Você Chegar, Stephen Westmoreland, irmão de Cayton, Conde de Langford, para corrigir um erro  enreda-se numa teia de enganos e mal entendidos  com Sheridan Bromleigh que acabam por lhe valer um abandono no altar e alguns desgostos. É o tempo das carruagens com brasões pintados puxadas por fogosos cavalos, festas e divertimentos.
Para rematar esta saga, um conto curto, Milagres, ata as pontas de um personagem constante nos dois livros anteriores Nicolas Du Ville, um outro sedutor amigo da duquesa Whitney  e da condessa Sheridan, e Juliana Skeffington, outro personagem com aparição anterior. Julianna é uma irritada solitária que tem que ser arrastada fora de seus livros, arranja um estratagema para se livrar de um casamento indesejado com um Lorde e acaba por cair noutro, com Nicky Du Ville.    Há alguns pormenores que interligam as histórias e a entrosam como uma saga familiar.



 As moças  são sempre sedutoras, com personalidade, educadas fora dos parâmetros normais, instruídas , uma raridade na época, românticas fugindo de casamentos impostos e negociados, lutadoras; mães casamenteiras que perseguem os ricos nobres até os acossarem em Clubes restritos, onde se refugiam. A ideia dos Clubes de cavalheiros (White) que ainda existem, é genial: os homens escondem-se comodamente num local onde poucos eleitos entram, têm total privacidade para jogarem e conviverem uns com os outros, aí podem esconder as suas fraquezas desculpando-se uns aos outros, servem muito bem de alibi para saídas menos desculpáveis aos olhos das esposas. Tenho pena que as mães, tão cheias de expedientes para caçar os imprudentes solteiros renitentes em casar, não tenham posto essa ideia em prática no feminino.
Geralmente os romances desta época, desenrolam-se numa sociedade muito hipócrita, hedonista,  enrolada em regras de boas maneiras capazes de matar toda e qualquer espontaneidade nas donzelas que se veem exibidas como gado em bailes de debutantes e festas na temporada londrina. Faz-me lembrar a época de caça aos patos bravos ou perdizes… os homens casadoiros e ricos, particularmente nobres, que são os mais visados, fogem desesperadamente. Apesar de mulherengos assumidos são sempre benevolamente regenerados pelas autoras, tornando-os apetecíveis às atarefadas mães casamenteiras … e a nós leitoras. Deslumbrantes fisicamente, revestidos em pergaminhos, ricos em propriedades, experientes e sensuais assumem-se no nosso imaginário como o supra sumo masculino, mas que só existem aí, na nossa imaginação. Talvez por isso mesmo sejam tão interessantes!!


  Naquela sociedade cheia de restrições, as jovens tinham de zelar pela sua reputação, maneirismos, gestos e atitudes, beleza e vestidos, mas o motivo   é direcionado sempre para o mesmo – o troféu de um  casamento conveniente - as mães zelam pela virtude das filhas mas também visando o mesmo: projeção e ascensão para a família. Ou seja, o casamento era o passaporte para a uma certa liberdade sensual e um seguro de conforto e luxo. Nem sequer imagino a trabalheira que deveriam ter na análise dos currículos sociais e financeiras dos possíveis candidatos a genros. Penso que ter filhas na época da chamada Regência era um verdadeiro pesadelo, então ser uma desafortunada mãe com meia dúzia delas, tal e qual uma M.rs Benet, seria de prematuramente “branquear” as cabeleiras. Os melhores partidos eram assolados por pragas de mães ansiosas em despachar as incautas virgens. Eles vingavam-se na ironia e sarcasmo de quem sabe que só tem que estalar os dedos para ter o leito aquecido e os berços preenchidos.


 Os lordes dos históricos de Judith McNaugth, não fogem a este figurino, nem as donzelas que os conquistam, mas ela acrescenta inteligência, picardia e personalidade às meninas e aos seus apaixonados, alguns duros e marcados, outros arrogantes e cínicos, muita sensualidade naquelas experientes criaturas, uma boa dose de aventuras e irritações de os fazer trepar pelas paredes, muitas emoções e quezílias antes de finalmente terem direito ao merecido descanso do viveram felizes para sempre. Salvaram-me ainda os personagens secundárias, duquesa- mãe e que apesar de curtas aparições nos mostram que ainda havia uns casamentos em que o casal viúvo ainda chorava o seu/sua companheiro(a) desaparecida e uns amigos que casaram sem grandes ruídos, porque sim, se amavam. Enfim, foi uma boa viagem no tempo, pelos livros e histórias da Judith McNaught, bem contadas e criativas, bem inseridas na época a que se reportam.
Pois, sim… curei a ressaca!
Para quem aprecia o género e gosta de sagas de famílias e séries ficam algumas sugestões:
Agora e Sempre, Judith McNaught
Alguém para amar, Judith McNaught
Uma tetralogia  familiar, neste caso os  Irmãos Rothwell, escrita bem ao jeito de Judith McNaught, mas pela mão de Madeline Hunter. Os  irmãos são protagonistas de histórias muito envolventes. Não sei se já foi publicada no Brasil,  em Portugal  foi pela editora  Asa e em boa hora. Esta autora tem uma escrita primorosa, cheia de nuances e sensualidade a leitura dos seus livros é uma leitura que envolve do princípio ao fim e nos faz ir procurar o próximo volume. Aqui ficam os títulos:
Jogos de sedução,  Madeline Hunter
Lições de desejo, Madeline Hunter
Regras de sedução, Madeline Hunter
Os pecados de Lorde Esaterbrook, Madeline Hunter
E ainda em épocas mais medievais de  guerras e intrigas politicas, a série Amantes Indomáveis:
O Sedutor, Madeline Hunter
Casamento por Conveniência, Madeline Hunter
O Protetor, Madeline Hunter
Mil Noites de Paixão, Madeline Hunter
Numa vertente mais humorística:
A família Bridgeton de  Júlia Quinn em que a deliciosa Sra Bridgeton tem uma dura tarefa a realizar: casar adequadamente oito rebeldes filhos, quatro rapazes e quatro raparigas.
 Nesta saga familiar vamos encontrar, mais uma vez, uma coleção de solteiros, enfileirados, homens doces escondidos por baixo de uma capa de altivez, armadura inevitável para se livrarem de tantos convites explícitos e implícitos a um matrimônio anunciado. A imagem do desfilar feminino, perante os olhos avaliadores dos futuros angariadores, deixa-me deprimida até mais não ser!
Acho que até eu me envolvia em muitas capas de altivez para enxotar tanta mãe casamenteira!!!
 Estes cavalheiros procuram acima de tudo ser felizes, a amizade que os une  é contada com muito humor, os irmãos  se digladiam e se amam ternamente, uma mãe galinha muito matreira, umas donzelas que quebram a lista de regulamentos, com língua afiada e muito humor nos diálogos, sempre à procura do amor. Dei por mim a rir com algumas cenas, uma semente que aterra sempre fora do sítio aonde deveria cair: Simon, numa guerra contra uma possível descendência, marcado desde a infância por um pai imbecil -1º livro da série- a da picada da abelha em Kate, a da noite de núpcias do Anthony e da Kate (2º livro da série) são hilárias, assim como muitas outras ao longo do livro. É uma série essencialmente divertida de ler. Em Portugal foi só lançado o primeiro volume, mas é uma saga a não perder.
















    Maria

4 comentários:

Anônimo disse...

Oi Maria, adorei o termo "ressaca literária", constantemente acontece isso comigo, como sou uma devoradora de livros e consequentemente adoro trilogias, sagas, etc chega num ponto de precisamos de uma desintoxição normalmente uso algum romance tipo florzinha Diana Palmer, Nora Roberts(aqueles bem antigos)e titia Judith e funciona bem... Bjos. Eliane

maria disse...

Eliane, ainda bem que temos esses "remédios" à mão para nos distrair de leituras mais pesadas ou densas, quer no enredo quer da escrita que o autor utiliza para por cá fora suas emoções e histórias. Querida bem vinda ao Clube das Ressacadas Literárias em Remissão (acabei de criar!!!) e obrigada por mais sugestões de "remédios" para quando a "doença" me atacar novamente. bs

Ja disse...

Querida Maria, parabéns por mais um post maravilhoso!! Vc sempre consegue impressionar e fazer deste espaço um lugar especial!! Bjks, amiga!!

maria disse...

Ja querida, obrigada e beijos.

Runescape Book