Amantes... meus!
Irrompi por ali adiante como qualquer viciado numa roleta dos cassinos.
Sem olhar para os lados,
avancei com passos largos, decidida, pelo corredor amplo ladeado por
expositores.
A iluminação é forte e conduz-me
diretamente ao meu objetivo.
Ao fundo. À direita!
Ao fundo. À direita!
Ao fundo, vários olhares
enfileirados me prendem, cheios de promessas e o meu corpo é percorrido por um arrepio de
antecipação.
As roupagens com que se adornam têm os mais diversos tons e motivos, todas com a mesma finalidade.
Cativar- me.
As roupagens com que se adornam têm os mais diversos tons e motivos, todas com a mesma finalidade.
Cativar- me.
Olho um pouco desorientada pela variedade das propostas
que me são feitas.
em olhares nada discretos, em
convites descarados,
formais, impúdicos,
todos se consomem e
mergulham em palavras
que contêm
a mesma mensagem:
“A tua felicidade está na
minha mão!”
Avanço ávida, chego mais perto, varro com o olhar o máximo de espaço e um maior número de candidatos.
Estico as mãos sôfregas, passo as mãos pelos seus segredos, mergulho fundo no desconhecido tentando de alguma forma adivinhar o que me querem propiciar.
Ahhh..., um ali, mais vivo, de cores fortes
a convidar-me para descobertas apaixonantes.
Viro-o. Percorro-o com dedos sensíveis, tateio com um indicador os seus revelos e logo, palpitante, relanço os olhos e novas propostas me são feitas, novas promessas sussurradas, novos sabores desconhecidos, novas praias, hipoteticamente novas frases, novos contornos e estilos, novos rumos.
Hesito de novo, com alguma angústia.
Não posso levar todos.
Cinco? Uma decisão impossível!
Quatro? Difícil.
Três? Suportável.
Dois? Aceitável.
Um, o ideal.
Mais calma, lanço-lhe a mão, leio as entrelinhas, abraço-o contra o peito dilatado, dou-lhe o braço num aconchego, afago amorosamente as suas arestas, realizo as minhas obrigações e partimos à desfilada, ansiosos pela privacidade.
Chegámos. Instalo-me no jardim, ao som balanceado das folhas do pessegueiro carregado de folhas e de pêssegos, agarro o objeto do meu desejo desvairado e… começo a ler.
Cinco? Uma decisão impossível!
Quatro? Difícil.
Três? Suportável.
Dois? Aceitável.
Um, o ideal.
Carrego o sobrolho, faço planos,
orçamentos, contabilizo perdas e ganhos, antecipo… e regresso, ruborizada pelo esforço.
Mais calma, lanço-lhe a mão, leio as entrelinhas, abraço-o contra o peito dilatado, dou-lhe o braço num aconchego, afago amorosamente as suas arestas, realizo as minhas obrigações e partimos à desfilada, ansiosos pela privacidade.
Chegámos. Instalo-me no jardim, ao som balanceado das folhas do pessegueiro carregado de folhas e de pêssegos, agarro o objeto do meu desejo desvairado e… começo a ler.
Maria



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