Definitivamente,
sou a campeã de amores obcecados
sou a campeã de amores obcecados
De vez em quando apaixono-me por uma autora, histórias e personagens e até
esgotar o filão, não paro de escavar até ler tudo o que escreveu. Desta feita,
prolonguei um namoro que venho mantendo com a Madeline Hunter.
Esta escritora apesar de ter começado a publicar tarde, em 2000, tem já na
sua lista algumas séries de que sou fã assumida e alguns livros premiados
(2003). As suas novelas têm aparecido
desde então nas listas de bestselers do USA Today do New York Times e na lista
de livros de ficção Waldenbooks.
As histórias dela centram-se
essencialmente na época medieval, século XIV, numa Europa assolada pela Peste
Negra e por guerras entre a França e a Inglaterra, uma Bretanha disputada entre
os dois reis e uma Escócia dividida entre clãs à procura de estabilidade.
Neste cenário Madeline escreveu a série Medieval que eu comecei pelo fim,
ou seja li uma série ao contrário. A
capa era tão bela, tão sugestiva de cores e contornos tão suaves que não
resisti. Sou mesmo fraca neste capítulo!
Depois foi só seguir a trilha dos restantes.

Se o primeiro livro "Casamento por Conveniência” manteve o meu interesse, o último que li, “O Protetor”, foi ainda mais interessante, com uma Anna de Leonn, tipo Joana D´Arc em ponto menor, vestindo, pensando e cavalgando como uma guerreira. O Morvan Fitzwaryn, que eu esperava feroz, virou mais um cavaleiro doce, depois de se ter livrado da Peste Negra, pelos cuidados de… Anna.

Não haja dúvida de que o charmoso conquistador Ian de Guilford teve dores de cabeça muito mais fortes com as tropelias de Lady Reyna Graham, víúva, cheia de planos e muita inocência. Com um sedutor tão carismático e experimentado, Reyna depressa verifica que tem de encontrar melhores artimanhas e argumentos para conseguir o que pretende.

David de Abyndon, um mercador aparentemente comum, é um personagem algo misterioso do principio ao fim, “arranja” um casamento com a bela Lady Christiana Fitzwaryn que apesar de não se incomodar em se casar com um pretendente encomendado, mas nos seus termos, vai encontrar um marido viril e muito pouco convencional. São protagonistas de uma paixão intensa e terna.
Essa série cruza ainda com outra ainda na época medieval, que eu, confesso, tenho de ir à procura, tanto mais que nela se encontra o livro premiado com um prêmio RITA, Stealing Heaven.
Os irmãos Rothwell
fizeram as minhas delícias


Capitaneados
pelo excêntrico Marquês de Easterbrook, Christian é seu nome, os Rothwell encontram mulheres pouco convencionais, numa escala social mais baixa, cultas,
com relações familiares e de amizade entre elas e a lutarem com problemas
económicos e pessoais. Donas de personalidades fortes vemos a culta e doce Alexis Wellbourne a cativar o austero Hayden (The Rules of Seduction), depois de um casamento arrancado a
ferros pela mãe. Delicioso!
Ela caminhou
até a cama.
Ele estendeu a mão, tomou-lhe o braço e conduziu-a em direção a ele. Depois de
alguma agitação com as roupas de cama, acomodou-a ao seu lado. Colocou um braço em volta dela, olhando para o véu
acima, tanto como tinha feito quando ela entrou.
Ele não tinha a intenção de fazer amor, ela percebeu. Ele não foi até o quarto dela mais cedo. Não a procurou porque não a queria esta noite. Talvez tivesse ido até uma amante, afinal. Aquela para quem tinha exigido a visita de um médico meses atrás.
A ideia incomodava menos agora, embora ainda doesse. Talvez seu contentamento com o modo familiar com que o braço dele a envolvia provocasse a diferença.
Era muito agradável ficar assim, sem expectativas pairando no ar e sem a névoa desinteressada criada pelo desejo saciado.
Eles nunca tinha feito isso antes. Havia sempre um ponto, um momento específico, quando os rescaldos da paixão evaporavam. Ele sempre partia, então, para buscar sua própria cama. Ela se perguntava se, como ela, ele experimentava o conforto delicado deste calmo abraço.
— Você não estava aqui quando eu saí esta tarde — ele falou. — Eu teria explicado meus planos nesse momento, uma vez que era o primeiro desde que retornamos de Kent.
Ele não tinha a intenção de fazer amor, ela percebeu. Ele não foi até o quarto dela mais cedo. Não a procurou porque não a queria esta noite. Talvez tivesse ido até uma amante, afinal. Aquela para quem tinha exigido a visita de um médico meses atrás.
A ideia incomodava menos agora, embora ainda doesse. Talvez seu contentamento com o modo familiar com que o braço dele a envolvia provocasse a diferença.
Era muito agradável ficar assim, sem expectativas pairando no ar e sem a névoa desinteressada criada pelo desejo saciado.
Eles nunca tinha feito isso antes. Havia sempre um ponto, um momento específico, quando os rescaldos da paixão evaporavam. Ele sempre partia, então, para buscar sua própria cama. Ela se perguntava se, como ela, ele experimentava o conforto delicado deste calmo abraço.
— Você não estava aqui quando eu saí esta tarde — ele falou. — Eu teria explicado meus planos nesse momento, uma vez que era o primeiro desde que retornamos de Kent.
Nesse
momento, mas não no futuro. As intenções dele tinham sido gentis, mas ele
também a informou sobre a forma como isso aconteceu.
— Foi gentil de sua parte querer explicar-me, mas eu sei que frequentemente seguiremos nossos próprios caminhos, à noite como em pleno dia.
Ele riu baixinho. Ela gostou do som e da evidência de que o humor negro estava passando, mas ela não tinha ideia do que o fazia bem humorado.
— Há um homem da Baviera. Foi organizado um jantar para ele. Somente para homens. Nós bebemos e conversamos sobre caçar, mas a verdadeira razão era negócios.
— Você não precisa me explicar. Sou muito sofisticada. De verdade.
— Eu não quero que você fique se perguntando se procurei por uma amante, logo após nosso casamento. Eu deveria ter lembrado que você é demasiado sensata para ter ciúmes, especialmente quando não há evidências.
— Foi gentil de sua parte querer explicar-me, mas eu sei que frequentemente seguiremos nossos próprios caminhos, à noite como em pleno dia.
Ele riu baixinho. Ela gostou do som e da evidência de que o humor negro estava passando, mas ela não tinha ideia do que o fazia bem humorado.
— Há um homem da Baviera. Foi organizado um jantar para ele. Somente para homens. Nós bebemos e conversamos sobre caçar, mas a verdadeira razão era negócios.
— Você não precisa me explicar. Sou muito sofisticada. De verdade.
— Eu não quero que você fique se perguntando se procurei por uma amante, logo após nosso casamento. Eu deveria ter lembrado que você é demasiado sensata para ter ciúmes, especialmente quando não há evidências.
Ela estava
feliz porque estava escuro e ele não podia ver seu rosto ardendo. Perguntou-se
se seria tão sensata no futuro, quando as evidências existissem.
A história de Rosalyn Lonworth e Kyle Bradwell (Secrets of Surrender) é penosa, muito enrolada com escândalos familiares, com algumas más escolhas pelo caminho, em algumas passagens bastante duras. Confesso que eu daria uns puxões de orelhas bem fortes na Rosalyn. Mas no final ela redime-se de alguns disparates.
Lord Elliot teve uma árdua tarefa para domar a acesa, liberal e independente Phaedra. Educada de uma forma liberal pela mãe artista não se vai vergar facilmente às regras do jogo de sedução do Lord (Lessons of Desire), mas, sim, jogar com as mesmas armas dele. Tenta levar adiante um projeto de uma editora herdada do pai e editar um livro comprometedor para os Rothwell.
— Quais são suas
intenções, Sr. Elliot?
Ele riu de
novo. Tranquilamente. Sombriamente.
— Este não é um bom
momento para brincadeiras e provocações, Srta. Blair.
De repente, ele
estava debruçado sobre ela. Pairando. Seu coração começou a
disparar. A camisa dele ondulava próxima ao seu rosto. O cheiro dele
lhe assaltava. Seu tamanho a dominava. Uma terrível e maravilhosa
expectativa a excitava. Seus seios aumentaram, sensíveis e —
Ele tomou seu braço
esquerdo e colocou-o próximo às barras de ferro da beira da cama.
— O que você está
fazendo?
Ele enfiou o xale
entre as barras. — Assegurando-me de que você não vai embora. Eu não preciso de
muito sono, mas não posso ficar acordado por duas noites.
— Isto é excessivo.
Desprezível. Eu exijo que você —
— Isto é
necessário. É isto ou eu dormir ao seu lado. É o que você prefere?
Ela o
encarou. Ele fez uma pausa nos nós que estava fazendo e olhou para baixo. O
coração dela subiu pela garganta.
— É o que prefere?
Ele repetiu. Era uma pergunta franca e sincera. Um convite para
permitir que a atração sensual tomasse seu caminho.
Ela engoliu em
seco. — É claro que não.
Mesmo na penumbra,
ela viu seu sorriso. Esse foi lento e confiante. Ele voltou a
atenção para os nós.
Finalmente ele se
afastou e se endireitou. Ela puxou o laço. Não havia nenhuma folga
nos nós. Ela virou para o seu lado e investiu para a amarração com a outra mão.
— Sinta-se livre
para tentar desatá-los. Você não vai conseguir. Você pode sentar. Você pode se
movimentar. Você pode até mesmo ficar de pé. Você pode usar o penico. Mas você
não pode fugir. Melhor usar o tempo para dormir.
Uma nota em seu tom
a fez parar de tentar. Ela virou-se de costas e olhou para ele. O
desamparo dela e o controle dele gritavam silenciosamente entre eles. A
mente dela gritava insultos revoltados, mas seu corpo experimentava um
delicioso e expectante calor. Chocava-lhe que esta subjugação provocasse desejo,
e um desejo muito erótico aquele.
Ele sabia,
maldito. Ela podia dizer que ele sabia.
— Você estava muito
bonita lá, Srta. Blair. Muito adorável, e vulnerável e, atrevo-me a acrescentar... submissa?
— Seu bastardo.
Aquela risada
tranquila novamente. Então ele se foi, deixando-a a argumentar consigo
mesma, pelo resto da noite, o quão exatamente vulnerável e submissa ele a tornara.
Cruzando as histórias todas, vamos encontrar o Marquês, personagem sombrio, com uns segredos bicudos, pouco dado a convenções, irreverente, que intervem de forma mais ou menos explícita nos dramas e decisões importantes. A série termina com a sua história e a de Miranda, no livro The Sins of Lord Easterbrook. Aí se desvendam os segredos obscuros que se sentem ao longo da saga.

A série Amantes indomáveis desenrola-se no alvor
da revolução industrial, em que a nobreza se sentia muito pouco confortável em
ser interveniente nessa revolução e esquecer os seus privilégios. Madeline Hunter transporta-nos para essa época com
esta série e a The Rarest Blooms. Enquanto que na
primeira vamos encontrar as aventuras de um grupo de amigos, que fazem parte de um grupo de esgrima, A Sociedade de Duelo de Hampstead, a
segunda é muito bem construída, em torno de quatro mulheres que querem
esconder o seu passado e quatro amigos de juventude que se reencontram como
homens maduros e renovam os seus
vínculos de amizade.
Num cenário social algo crispado,
essas mulheres encontram em Daphne e na sua propriedade The Rarest Blooms o refúgio que procuravam. Seguem uma regra
estrita que cumprem à letra: não fazerem perguntas umas às outras sobre o
passado. Por conseguinte todas possuem segredos cabeludos.
A série começa com Audrianna na tentativa de limpar o nome do pai que
supostamente se suicidou, acaba por se envolver num escândalo com Lord Sebastian
Summerthays, o qual tenta
aclarar também um mistério qua acabou por envolver o pai de Audrianna. Apesar
dela querer deixar passar o escândalo Lord Sebastian tem ideias diferentes das
dela! Temperado com mistério e paixão o livro “Arrebatadora em Vermelho” foi uma leitura agradabilíssima.
Ansiosa por conhecer os restantes protagonistas fui procurar as outras
habitantes recatadas da casa. Nas
estufas da propriedade, encontrei a esquiva Lizzie (Provocative in Pearls) escondida atrás de um nome falso e um rabugento e arruinado Conde Hawkeswell. Este é um bombom rabugento!
Uma Célia Pennifold, prática e com conhecimentos
que escapam às restantes amigas, um bastardo
da nobreza à procura do seu lugar por direito próprio de nascimento, Jonathan Albrighton, enquanto que Célia procura sobreviver de forma correta e independente. Ambos filhos ilegítimos da nobreza, reencontram-se, amam-se e lutam
pelo seu amor e autonomia (Sinful in Satin).
Finaliza a série a história de Daphne Joyes, figura de proa
desde o início, forte, cheia de segredos, que vai esbarrrar no mais libertino
dos quatro amigos, o duque Lord Castleford (Dangerous in Diamonds). Este, o género do Marquês de Easterbook da série, é um
libertino assumido, frequentador de bordeis, enfastiado, cheio de
expedientes, que escandaliza a sociedade
e os próprios amigos. Quando lhe atiçam
a curiosidade não há quem o segure,
intromete-se com ou sem a autorização nos assuntos dos amigos. É um personagem divertido e a
interação dele com o Conde Hawkeswell é
hilária.
Todos eles, como amigos que são, se vão encontrando na série, portanto
todos continuam de uma forma mais ou menos visível a estar presentes nas
histórias uns dos outros.
Deveria ser interessante ir tomar um chá com eles todos juntos. Estou
certa que seria divertido, a menos que Castleford estivesse em dia de terça
feira!
Amei esta série. Não digo mais
sobre o desenrolar das histórias porque não gosto de escrever spoilers, apesar
da minha curiosidade cerrada os catar a todos. Mas é bom que cada um retire dos
livros a sua própria opinião.
A escrita da autora é cativante,
a leitura flui e prende, os personagens são sensuais e as cenas bem escritas poderosas e cheias de
erotismo. Os personagens femininos são quase sempre cultos, de
personalidades fortes que não se deixam
derrubar facilmente, à procura da felicidade e independência.
Os personagens masculinos? Uns doces! Os meus preferidos? Os turrões e
excêntricos! Em todas as sagas tem um! Os amores? Apaixonantes e a escorrer
sensualidade!
Agora uma boa notícia para quem tiver curiosidade em ler: a série
Medieval já circula por aí em grupos, assim como as séries Amantes Indomáveis e a Rarest Blooms. Estas ainda se encontram no ínicio, mas dá
para satisfazer alguma curiosidade. É só
procurar com carinho, pois meninas generosas estão a trabalhar nelas. A série
Rothwell já foi toda editada em
Portugal, assim como parte da Medieval.
Já saiu uma nova série em março, mas essa ainda não comecei…

Maria


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