Hoje, para quem tiver paciência em me acompanhar, faço um convite: Viajar comigo em minhas memórias e descobrir por que me reconciliei com os vampiros a partir desta série.
O filme, na época, me causou tal terror que nessa noite não consegui dormir em minha cama, e já era uma adolescente bem grandinha que sempre dormira sozinha. Essa noite, houve uma cama que tremia tanto como quem a ocupava de pés gelados e coração sobressaltado. Não sei se as corujas nessa noite resolveram fazer uma caçada mais barulhenta, ou os morcegos algum vôo mais rasante, mas que eu ouvia o chiado deles, os estalinhos na madeira e o bater dos galhos nas janelas. Eu juro que ouvia, e todos eram mal intencionados! Muito assuntada, perdi a vergonha e corri literalmente para a cama de uma das nossas amigas, dando a desculpa de que estava tremendo com o frio… Mentira… estava tremendo de medo, porque, na minha imaginação fértil, aquele pesadelo vinha abocanhar o meu rico pescocinho! A partir dessa noite insone, decidi que… vampiros? Nem no cinema!
Mais tarde, vi a segunda geração na sua fase gótica mergulhando na Anne Rice. Os vampiros passaram a ser moldados em Tom Cruise e Brad Pitt e achei que eu era muito preconceituosa. Relutante, lá fui espreitar a vampirada dela. Nah!!! O meu espírito decididamente ainda não se tinha restabelecido daquele encontro tão funesto! As vítimas ainda eram vítimas e a chupadelas nada tinham de romântico.
as consagra.
«Eu te reclamo como minha companheira. Pertenço-te. Ofereço-te minha vida. Dou-te meu amparo, minha fidelidade, meu coração, minha alma e meu corpo. Para compartilharmos tudo. Sua vida, sua felicidade e seu bem-estar serão os primeiros para mim. É minha companheira, unida a mim para toda a eternidade e sempre sob meu cuidado». (Ritual Carpato)
As histórias de cada
casal são diferentes, cada qual com as suas fraquezas e inseguranças, uns
personagens mais carismáticos (Gregori) e imponentes do que outros (Jacques,
Darius, Gabriel e Lucien, Virnikoff, Razvan), mas com alguns livros
espetaculares (Desejo Sombrio, Lenda Sombria, Demónio Sombrio, Assassina Sombria), na minha modesta
opinião. Há uma continuidade na série desde o primeiro volume, a escuridão e o
desespero em que vive cada Cárpato até encontrar a sua companheira, e as
emoções, que os arrancarão de um mundo
cinzento e sem cores, o amor e a devoção. A raridade das mulheres e
crianças cárpatas leva a que humanas com
dons psíquicos sejam compatíveis para a conversão que lhes vai permitir viver
no seu mundo e gerar os seus filhos. É comovente ver, apesar de serem muito
possessivos, como se apaixonam de forma incondicional e têm atitudes
cheias de romantismo. A possessividade
que revelam não é mais do que terror
absoluto de perderem as suas companheiras e a luz que lhes restituiu as emoções
perdidas, e uma obrigação de as proteger
que respeitam, acima da própria vida. «Sua
angústia lhe golpeou com uma força incrível. Ele era, depois de tudo, um homem
dos Cárpatos. Sua primeira obrigação era sempre proteger a mulher, ainda com
risco de sua própria a vida» (Desejo
Sombrio).
Maria Carmo
Acontecem batalhas
épicas com os vampiros, (cárpatos que desistiram e se tornam maléficos à
procura das suas emoções através do terror das vítimas) em que os próprios
elementos da natureza são manipulados e se tornam aliados; curas realizadas a
partir do interior, onde o cárpato curador
penetra sob a forma de luz; cenas de amor eróticas, tórridas mesmo, em que o casal
partilha a mente de cada um e sente o prazer do companheiro… mais não digo,
leiam!
Eu reconciliei-me com um tipo de personagens
aos quais tinha virado as costas há muito tempo, precisamente pela mão dos
Cárpatos de C. Feehan. Maria Carmo
Nenhum comentário:
Postar um comentário